Por que a escravidão foi praticamente apagada da história de Chile e Argentina: ‘Aqui não há negros’

“Muitas vezes, no meu próprio país, passo por estrangeira por causa da minha cor, do cabelo encaracolado, e tenho que dizer com orgulho que sou chilena, tendo que suportar a descrença de muitos e muitos.”

Por Jaime Gonzále, da BBC 

107338557_422d4c1e-b5e0-4692-8a15-1bf7c9c99508

Estas palavras da ativista Marta Salgado descrevem a realidade que muitos afrodescendentes enfrentam tanto no Chile quanto na vizinha Argentina, países onde a seguinte frase se tornou comum: “Aqui não há negros”. (ARQUIVO GERAL DA REPÚBLICA DA ARGENTINA INV: 13862)

Embora seja verdade que, historicamente, a porcentagem de população negra nesses dois países tenha sido muito menor do que em outras nações latino-americanas, as coisas eram diferentes na época da colônia.

Segundo registros históricos, há 200 anos, em cidades como Buenos Aires e Santiago, os negros chegaram a representar mais de 20% da população, número que pode chegar a 60% em outros locais onde negros escravizados traficados da África eram central para economias locais.

Especialistas ouvidos pela BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC) concordam que, durante décadas, historiadores no Chile e na Argentina, determinados a construir uma identidade nacional baseada principalmente na herança europeia, ignoraram a contribuição crucial de escravizados e seus descendentes para o desenvolvimento econômico, cultural e político de ambos os países.

Quando a presença dos negros não era negada, tendia a ser relativizada com argumentos como os de que foram poucos que chegaram ou que aqueles que foram para lá ou foram embora ou não sobreviveram ao frio ou a doenças.

No país vizinho Uruguai, no entanto, a presença de afrodescendentes tem sido constante desde a época da colônia – representando atualmente cerca de 8% da população do país – e, apesar da histórica discriminação sofrida por esse grupo, a herança afro está presente em importantes manifestações culturais do país, como o famoso carnaval de Montevidéu.

No Brasil, segundo dados de 2016 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a parcela de pessoas que se autodeclaram pardas representava 46,7% da população e a de pretos, 8,2%. Os brancos eram 44,2%.

Uma história diferente

A presença de negros no Cone Sul é um fenômeno que pode ser rastreado até os tempos da conquista, no século 16, quando já havia registros de pessoas de ascendência africana que chegaram escravizados.

“O que sabemos é que, no total, durante todo o período colonial, cerca de 12 milhões de escravos foram traficados de um continente para outro”, explica Juan José Martinez Barraza, historiador econômico da Universidade de Santiago do Chile.

“Os 70 mil escravos que chegaram ao Cone Sul, principalmente pelo Rio da Prata, representam cerca de 1% do tráfico total. Isso pode parecer insignificante, mas não é, devido ao que representaram em termos econômicos”, diz o historiador.

“Por exemplo, em Santiago, em 1777, havia 40 mil habitantes, em Lima, cerca de 50 mil. Portanto, a vinda de 70 mil pessoas, que também se reproduziam, foi, sim, significativa em termos econômicos.”

Os negros escravizados chegaram principalmente pelos portos de Montevidéu e Buenos Aires. De lá, alguns foram enviados para as províncias do interior da atual Argentina ou para Santiago e Valparaíso, de onde foram transferidos por mar para o norte.

Muitos deles ficaram nas cidades para realizar trabalhos domésticos ou artesanais. Outros foram forçados a trabalhar nos campos ou nas minas.

De acordo com Juan Jose Martinez Barraza, “quando a historiografia liberal enfatizou a república nascente e deixou para trás a colônia, colocou debaixo do tapete tudo relacionado à escravidão e escravos”.

Uma mãe da pátria negra

107222254_gettyimages-149178683-1

“Houve uma manipulação que se tornou a história oficial das escolas”, afirma o historiador Felipe Pigna (GETTY IMAGES)

Na Argentina, o esquecimento historiográfico sobre a contribuição e presença da população afrodescendente têm sido muito semelhante, explica o historiador Felipe Pigna à BBC News Mundo.

“A invisibilidade dos negros na história é tremenda, eles praticamente não são mencionados”, diz Pigna. “Houve uma manipulação que se tornou história oficial nas escolas, e permaneceu como história canônica, na qual nem mulheres, nem povos nativos, nem afrodescendentes tinham lugar.”

“Felizmente isso tem mudado e foi demonstrado que essa história era em grande parte falsa.”

Pigna cita como um exemplo deste processo de invisibilidade o caso de Maria Remedios del Valle, “que era uma mulher de ascendência africana que participou dos exércitos de Manuel Belgrano, um dos libertadores, em todas as suas batalhas”.

Por causa de suas contribuições, ela foi proclamada mãe da pátria argentina, “a única mulher em nossa história”, aponta o historiador.

“Mas em 1870, quando começaram a reescrever a história sobre a imigração, eles acharam que não era muito coerente ter uma mãe da pátria negra, quando se promovia uma imigração branca, e passaram a ignorá-la e eliminá-la da história, e foi assim que a fizeram desaparecer.”

Esse processo de ocultação da herança negra continua afetando os afrodescendentes hoje, que lutam há décadas para reconhecer sua história e seus direitos.

‘Um país racista’

Marta Salgado, da Organização Ouro Negro, tem sido uma das faces mais visíveis dos afrodescendentes chilenos há duas décadas.

Salgado vive em Arica, uma cidade que o Chile tomou do Peru no final do século 19, na Guerra do Pacífico, época em que mais de 50% da população era de origem africana.

107222184_mediaitem107222183

Marta Salgado tem muitas anedotas sobre a discriminação que teve de enfrentar durante toda a vida por causa da sua origem (BBC MUNDO)

“Não estamos nos currículos escolares, o Ministério da Educação nunca fez nada para ensinar ao povo do Chile que havia africanos escravizados e, portanto, há descendentes”, explica Salgado em conversa com a BBC News Mundo.

“O Chile é um país discriminatório e racista e também xenófobo, mas diz-se que não é, mas lá no fundo há muito racismo e muita discriminação, porque se diz que nascemos de europeus, e esse não é o caso”.

Salgado tem muitas anedotas sobre o que teve que enfrentar devido à sua origem.

“Eu já passei por cubana, peruana, colombiana… Muitas vezes quando eu digo que sou chilena eles me olham estranho (…) Uma vez, eu era mais jovem, em Santiago, me perguntaram onde eu ia fazer o show, pensando que eu era de outro país”, diz o ativista.

“Eles olham para você por causa da sua cor de pele e por causa do seu fenótipo e não por causa do que você é e é por isso que é difícil uma pessoa de descendência africana se posicionar, especialmente se ela é uma mulher.”

“Quis negar minha família”

Cristian Báez, um pesquisador experiente e ativista afrodescendente que também mora em Arica, diz que seus ancestrais passaram por um processo de “branqueamento” depois que a cidade ficou sob o controle chileno.

“Quando o Chile tomou este lugar, disseram aos que estavam aqui que, se quisessem ficar, teriam que se tornar chilenos, e esse foi um processo muito maquiavélico. Tiveram que se branquear para deixarem de ser peruanos. E com esse branqueamento, proibiram tradições e costumes que vieram de uma herança ancestral africana”, explica Báez, que é fundador da ONG Lumbanga.

107222186_mediaitem107222185

Báez diz que, como muitos afrodescendentes, ele sofreu rejeição dentro de seu próprio país desde cedo (BBC MUNDO)

Báez diz que, como muitos afrodescendentes, ele sofreu rejeição dentro de seu próprio país desde cedo.

“Na escola, eles me discriminavam por duas coisas, primeiro por ter cabelos escuros e depois por morar em uma área rural. Então eu sofri muito bullying por ser negro e de Azapa.”

“Quando meus colegas queriam ir a Azapa para conhecer a casa da minha avó, eu negava porque eu tinha vergonha da minha avó negra e meu pai negro, queria negar minha família”, diz o ativista.

Báez diz que ser afrodescendente faz com que ele “entenda que, a cada processo de luta”, de alguma forma, “estou consertando o estrago do que fizeram com meus antepassados”.

Uma lei que os reconheça

O trabalho de organizações como Ouro Negro e Lumbaga foi finalmente recompensado em abril deste ano com a promulgação no Chile de uma lei que concede reconhecimento legal a afrodescendentes e “sua identidade cultural, idioma, tradição histórica, cultura, instituições e visão de mundo”.

O regulamento contempla sua inclusão como população no censo e determina que as escolas ensinem “a história, a língua e a cultura dos afrodescendentes”.

Após a promulgação da lei 21.151, Vlado Mirosevic, um membro do Partido Liberal e um dos promotores dos regulamentos, disse que eles estavam “muito felizes por este passo em direção a um Chile multicultural e diverso”.

De sua parte, o senador do Partido Socialista da região de Arica e Parinacota, José Miguel Insulza, disse que a lei “faz justiça a muitos chilenos cujos antepassados ​​vieram a esta terra séculos atrás”.

Espera-se que em meados de junho haja eventos no Congresso Nacional em Valparaíso e no Palácio de La Moneda, em Santiago, para comemorar a promulgação da legislação.

Essa vitória política esteve muito presente no carnaval afrodescendente que ocorreu em março em Arica. Vários grupos musicais percorreram o centro da cidade em um colorido desfile.

Este festival cheio de ritmo e cor que acontece todos os anos há mais de quinze anos visa celebrar a herança africana de uma população cuja identidade tem sido historicamente negada.

O processo de se estrangeirar

_107222256_mediaitem107222255

Álvarez conta como em seu cotidiano ele vive o que descreve como um processo de “estrangeirização” (CARLOS ÁLVAREZ)

A mesma luta que Marta Salgado e Cristian Báez lideram no Chile tem sido realizada na Argentina nos últimos anos pelo afro-ativista Carlos Álvarez Nazareno.

Ele, que vive na Argentina há 15 anos, é originário do Uruguai, país em que, explica, embora exista uma maior presença histórica de afrodescendentes, cresceu “sob o jugo da discriminação, do racismo e do ridículo”.

“Isso aconteceu 30 anos atrás e continua acontecendo hoje, e nossos jovens continuam denunciando o racismo de seus colegas e até dos próprios professores nas salas de aula”, explica.

Álvarez comenta como na Argentina, historicamente, “foi reconhecida a contribuição de espanhóis, italianos ou judeus e se negou a contribuição das comunidades afrodescendentes e africanas”.

O ativista conta como, em sua vida diária, ele vive o que descreve como um processo de “estrangeirização”.

“A primeira pergunta que eles fazem na rua é de onde você é, eles comentam o quanto você fala bem espanhol. Quando você vai fazer um procedimento burocrático qualquer, a mesma coisa acontece. As pessoas pensam que, se você é negro, não pode ser dessas latitudes”.

“É por isso que imigrantes dos países africanos sofrem racismo e assédio policial nas ruas de Buenos Aires”, diz.

Alvarez cita como exemplos de conquistas da comunidade afro na Argentina as comemorações do dia 8 de novembro, quando se celebra no país o Dia dos Afro-Argentinos, em homenagem a María Remedios del Valle.

E o fato de terem sido incluídos no censo de 2010, “em que 150 mil pessoas foram reconhecidas como afrodescendentes, embora saibamos que há mais de 2 milhões no país”.

Parte dos historiadores afirma que essa cifra de 2 milhões é exagerada, embora sustente que deve-se acabar com o mito de que a maioria das pessoas de ascendência africana na Argentina morreu nas guerras da independência ou por causa de doenças.

Embora estes tenham sido fatores importantes na diminuição da população negra do país, particularmente na população masculina, a miscigenação também desempenhou um papel fundamental, o que explica por que muitos argentinos não saibam que em sua árvore genealógica pode haver uma pessoa que há não muitos séculos foi tirada à força da África.

Presença real

No Chile, foi também o processo de mestiçagem que tornou a população afrodescendente cada vez menos visível.

“A etnia chilena é um grupo étnico em que a presença do sangue negro é real, é importante, mas comparado a outros países não é tão visível”, explica Baldomero Estrada, professor titular do Instituto de História da Pontifícia Universidade Católica de Valparaíso.

Os historiadores destacam o pouco que os chilenos sabem hoje sobre o papel que seu país desempenhou no tráfico de escravos (BBC MUNDO)

“Do total, 90% dos espanhóis que vieram para este território eram homens, então eles se misturaram com os índios, e é aí que a miscigenação começa, e quando os negros chegam, a mesma coisa acontece, eles se misturam e são absorvidos muito rapidamente”, diz Estrada em conversa com a BBC News Mundo.

“Não há grupos étnicos que mantenham características permanentes e visíveis, no caso dos Mapuches, eles também são muito misturados, e é muito difícil encontrar um que seja mapuche puro.”

A avó no armário

 “A herança cultural é muito poderosa. A dança argentina por excelência que é o tango, que tem claramente origens negras”, diz o historiador Felipe Pigna (GETTY IMAGES)

Embora a herança genética de pessoas de ascendência africana no Chile e na Argentina hoje não seja tão visível, há outro tipo de legado que sobreviveu até hoje, segundo o historiador Felipe Pigna.

“A herança cultural é muito poderosa e podemos vê-la na dança argentina por excelência que é o tango, que tem claramente origens negras”, ressalta o historiador.

“Grande parte do nosso folclore, o samba, chacarera e muitos ritmos do folclore argentino têm uma influência africana. Há também as nossas palavras de vocabulário que permanecem como um legado.”

Entre as palavras que os linguistas consideram ter origem afro estão palavras como quilombo, milonga, candomblé, marimba, tango, matungo, mandinga, dengue ou mucama.

O ativista Carlos Álvarez acredita que os argentinos devem “tirar a avó afro do armário”.

“Para ter uma sociedade muito mais igualitária e justa, devemos valorizar nossa contribuição e fazer com que as crianças e adolescentes tenham orgulho de seus antepassados.”

Tomado de https://www.geledes.org.br/por-que-a-escravidao-foi-praticamente-apagada-da-historia-de-chile-e-argentina-aqui-nao-ha-negros?utm_medium=ppc&utm_source=onesignal&utm_campaign=push&utm_content=onesignal&sfns=mo

“Aquí no hay negros”: cómo se borró de la historia de Argentina y Chile el aporte de los esclavos y los afrodescendientes.

_107222256_mediaitem107222255

Carlos Álvarez cuenta como en su vida diaria experimenta lo que describe como un proceso de “extranjerización”

El proceso de extranjerización

Por. Jaime Gonzalez de Gispert.

11 junio 2019

La misma lucha que Marta Salgado y Cristian Báez encabezan en Chile la ha llevado a cabo en Argentina en los últimos años el activista afro Carlos Álvarez Nazareno.

Álvarez, quien vive desde hace 15 años en Argentina, es originario de Uruguay, país en el que, según explica, aunque hay una mayor presencia histórica de afrodescendientes, creció “bajo el yugo de la discriminación, el racismo y las burlas”.

“Eso pasaba hace 30 años y sigue pasando hoy. Nuestros jóvenes siguen denunciando el racismo en las aulas de los compañeros y hasta de los propios docentes“, explica.

Álvarez señala cómo en Argentina históricamente “se ha reconocido el aporte de españoles, italianos o judíos y se ha negado el aporte de las comunidades afrodescendientes y africanas”.

El activista cuenta como en su vida diaria experimenta lo que describe como un proceso de “extranjerización”.

“La primera pregunta que te hacen en la calle es de dónde sos, de qué país venís, y te dicen lo bien que hablas español. Cuando vas a hacer un trámite pasa lo mismo. La gente cree que si eres negro no puedes ser de estas latitudes“.

Mujer en el metro de Buenos Aires en 1959

En esta foto del Archivo General de la Nación de Argentina se ve a una mujer afrodescendiente en el metro de Buenos Aires en 1959.

“Por eso las nuevas migraciones de países africanos sufren el racismo y el hostigamiento policial en las calles de Buenos Aires”, apunta.

Álvarez pone como ejemplos de logros de la comunidad afro en Argentina que cada 8 de noviembre se celebre en el país el Día de los Afroargentinos, en homenaje a María Remedios del Valle.

Y que se les incluyera en el censo de 2010, “en el que 150.000 personas se reconocieron como afrodescendientes, aunque sabemos que hay más de dos millones en el país”.

Hay historiadores que creen que esa cifra de dos millones es exagerada, aunque sostienen que hay que acabar con el mito de que la mayoría de afrodescendientes en Argentina murieron en las guerras de independencia como “carne de cañón” o a causa de las enfermedades.

Si bien esos fueron factores muy importantes en la disminución de la población negra del país, particularmente la masculina, también jugó un rol clave el mestizaje, que explica por qué a día de hoy muchos argentinos no saben que en su árbol genealógico hay una persona que hace siglos fue llevada a la fuerza desde África.

Tomado de https://www.bbc.com/mundo/noticias-america-latina-48508342

El Grupo de Jóvenes de la Agrupación Xango se reunió con el Alto Comisionado de la ONU para los Afrodescendientes.

Buenos Aires, Argentina.

Ayer la Agrupación Xangó y les jóvenes Afro en representación de la de la Red Nacional de Jóvenes Afro, participamos de la reunión con el grupo sobre Afrodescendientes del Alto Comisionado de las Naciones Unidas, en su visita a la Argentina. Allí pudimos denunciar el racismo y visibilizar la comunidad afroargentina y afro migrante.

WhatsApp Image 2019-03-12 at 8.39.43 PM

WhatsApp Image 2019-03-12 at 8.39.42 PMWhatsApp Image 2019-03-12 at 8.39.44 PM (2)

Junto a la Comisión 8 de Noviembre, pudimos denunciar ante este organismo internacional, las sistemáticas violaciones a nuestro derechos y reclamamos por políticas públicas urgentes y efectivas para atender nuestra situación de emergencia ocupacional, de salud y educativa.

WhatsApp Image 2019-03-12 at 8.39.42 PM (1)WhatsApp Image 2019-03-12 at 8.39.44 PM

II Encuentro Nacional de Jóvenes Afroargentinxs y Afrodescendientes

Relatoría del II Encuentro Nacional de Jóvenes Afro

Villa de Mayo, Provincia de Buenos Aires.

IMG-20190306-WA0042Durante los días 1, 2 y 3 de marzo en la Escuela EP nro. 33 “Juan Mantovani” en el partido de Malvinas Argentinas – Villa de Mayo, se desarrolló el II Encuentro Nacional de Jóvenes Afroargentinxs y Afrodescendientes. 

Desde la Agrupación Xangó se vienen generando distintas instancias de construcción e intercambio con jóvenes afro de diferentes provincias, y organizaciones sociales afro con la presencia de jóvenes de Misiones, Chaco, Córdoba, Corrientes, Salta, Entre Ríos, Santiago del Estero, Ciudad y Provincia de Buenos Aires y varios colectivos afro de migrantes.

IMG-20190306-WA0051IMG-20190306-WA0045IMG-20190306-WA0023

El Encuentro se dió en el marco del Decenio Internacional para las Personas Afrodescendientes y del proceso de visibilización de la comunidad afroargentina que viene fortaleciéndose en nuestro país con el protagonismo de les jóvenes. A través de su participación y compromiso en pos de construir una mayor toma de conciencia sobre la actualidad y las necesidades de las comunidades afro, se abordaron distintas temáticas en la lucha contra el racismo, la xenofobia y la promoción de derechos.

El primer día se realizaron talleres desde la perspectiva étnico racial sobre educación y políticas socioeducativas de inclusión para les jóvenes afro. Se discutieron y generaron propuestas en torno a las becas Progresar y la necesidad de acciones afirmativas que fomenten la permanencia educativa de les jóvenes. Además, se resaltó la necesidad de generar e implementar contenidos curriculares que les integren como protagonistas y generen un abordaje integral sobre las situaciones de racismo, bullying y discriminación racial que viven como jóvenes afro en las aulas y en las instituciones educativas.

A través del trabajo en dinámicas de taller, se abordó el lugar que ocupan les afrodescendientes dentro del Sistema Educativo, generando una batería de propuestas que fueron presentadas al Subsecretario de Educación, y a la Directora de Derechos Humanos del Municipio de Malvinas Argentinas y también a representantes del Banco Mundial en la Argentina, que les acompañaron durante la primera jornada. Dichas autoridades manifestaron el compromiso de abordar estas cuestiones en las instituciones educativas del distrito y desde el Banco Mundial se comprometieron a elevar las conclusiones a las autoridades competentes del Ministerio de Educación de la Nación.

Durante el segundo día se trataron los temas de Cultura, Juventud e Identidad y en ese marco se denunció la invisibilización del colectivo afro en la historia de la República Argentina y la perpetuación del racismo desde las diferentes instituciones educativas, organismos estatales e instituciones públicas y privadas.

Nosotres, les jóvenes afro, entendemos que debido al no reconocimiento histórico se produce la perpetuación del racismo en acciones concretas, como la negación de la existencia de personas negras en nuestro país y la constante exposición a situaciones de discriminación racial que atravesamos cotidianamente, agravada en el caso de las mujeres, que resultan además oprimidas en razón del género, la identidad sexual, de clase, entre otras.

IMG-20190306-WA0053IMG-20190306-WA0062IMG-20190131-WA0137

Por ello, proponemos la creación de programas de formación docente para profesionales de la educación y fuertes campañas que promuevan la eliminación de actitudes y términos racistas insertos en la idiosincrasia argentina -como el uso peyorativo de las palabras “negra/o” o “quilombo”-, la reproducción de prejuicios y preconceptos -como “en la Argentina no hay negras/os”-, o los estereotipos – como la idea de que “las/os negras/os son buenas/os para la danza y el deporte”-, así como la hipersexualzación de los cuerpos afrodescendientes y afroargentinos.

Asimismo, se concluyó que una medida fundamental para lograr una sociedad más equitativa con perspectiva étnico racial es la creación de una ley de cupo laboral afro. Esto resulta urgente, ya que la situación que vive la comunidad es de emergencia debido al racismo estructural que se ha agravado por la crisis económica y la institucionalización de discursos xenófobos y profundamente racistas.

El día domingo, se abordaron los temas de géneros y salud con fuertes debates sobre el rol del feminismo negro y la lucha contra el machismo, el sexismo y el patriarcado. Una de las principales conclusiones a las que arribamos es la sugerencia de que los varones no participen de la marcha de las mujeres el 8M y propusimos que, en su lugar, generaran ámbitos propios de discusión antipatriarcales.

Por otro lado, resaltamos la necesidad de crear espacios de empoderamiento de las mujeres jóvenes afro y la importancia de promover este tipo de encuentros que permiten problematizar y poner en valor los aportes de la cultura afro y el protagonismo de la juventud afroargentina y afrodescendiente.

Desde la perspectiva de Salud se abordaron temáticas referidas a los derechos sexuales y reproductivos, la promoción y prevención de la salud desde una perspectiva integral que incluya la particularidad étnico racial.

El abordaje de las problemáticas vinculadas a las distintas adicciones y el derecho al aborto legal, seguro y gratuito. Para lo cual les jóvenes propusieron crear espacios de contención, empoderamiento y concientización del consumo problemático drogas, además de crear un espacio donde les jóvenes puedan realizar actividades sociales, practicar deportes y construir espacios de referencia comunitaria. Como corolario, pudimos conformar la “Red de Jóvenes Afrodescendientes y Afroargentinxs de la región Argentina”.

Grupo de Jóvenes Afro – Agrupación Xango 

 Florencia Mendilarzo 

 11 5107 8733

Maylen Lamadrid

11 6142 6875

agrupacionxango@gmail.com

jovenesagrupacionx@gmail.com

IMG-20190306-WA0071IMG-20190222-WA0053IMG-20190212-WA0142

“No es verdad que en Argentina no haya población afrodescendiente” Carlos Álvarez: Coordinador Agrupación Xangó

Carlos

Representantes de afrodescendientes manifestaron su visión con respecto a la percepción y aceptación social de la negritud en Argentina.

Cuestionando el mito del “crisol de razas” con el que se ha construido una idea de la Argentina abierta a la integración de todas las etnias y nacionalidades, individuos y organizaciones plantean la necesidad de instalar y profundizar un necesario debate acerca del lugar histórico y contemporáneo de las personas y la cultura de raíces del África negra.

“Argentina reproduce un racismo estructural que también se da en toda Latinoamérica pero que tiene particularidades debido al proceso de invisibilización que llevó pensar un país sin negros, sin indígenas, sin pueblos originarios, que caló fuerte en la construcción del inconsciente colectivo y la identidad nacional”, dijo a Sputnik Carlos Álvarez Nazareno, coordinador general de la Agrupación Xangô por la Inclusión y la Justicia Social.

“Está muy instalado esto de que en Argentina no hay negros, ese relato historiográfico racista de que todos murieron con la fiebre amarilla o en las luchas independentistas que sigue reproduciéndose lamentablemente en la educación y lo institucional. Lo ves en el lenguaje cotidiano en los medios de comunicación; todo lo negro vinculado a lo negativo: trabajo en negro, trabajar como un negro, cabecitas negras, negros cabezas, negros de alma”, insistió Álvarez.

El coordinador de Xangô explicó que este racismo se vuelve más evidente en la ausencia de negros en los medios, en cargos representativos, en lugares de visibilidad hegemónicos y en el deporte, como sucede en todos los países del mundo donde existen comunidades afrodescendientes.

Sobre este punto en particular puso el foco también Nicanor St. Fort Laurent, abogado y líder del Movimiento para la Unión, Desarrollo, Protección e Integración de los Afros en Argentina (Mudpiar) que, bajo el lema “La Argentina es afro también”, busca reivindicar la participación patriótica en la formación del Estado y la lucha por la igualdad de oportunidades de quienes se identifican con su propia negritud.

Fuente. https://www.republica.com.uy/no-es-verdad-que-en-argentina-no-haya-poblacion-afradescendiente-id686389/?fbclid=IwAR32jbzeQPzeIwTDxQYRebvpxCBSFBrepZGw9UZrIbTvwqIFvxdEl1M5z_A

Un paso adelante en la educación intercultural

untref-coloquio-educacion-superior-y-pueblos-indigenasLa Universidad Nacional de Tres de Febrero (UNTREF), a través del Programa Educación Superior y Pueblos Indígenas y Afrodescendientes en América Latina (ESIAL), y con el apoyo del Instituto Internacional de la Unesco para la Educación Superior en América Latina y el Caribe (UNESCO IESALC), presenta hoy la segunda jornada del 5º Coloquio Internacional “Educación Superior y Pueblos Indígenas y Afrodescendientes en América Latina. Colaboración intercultural: servicio, investigación y aprendizajes”.

Durante la actividad, que se realizará de 10 a 20 horas en el Auditorio de la Sede Rectorado de la UNTREF (Juncal 1319, CABA), se darán a conocer estudios y se intercambiarán reflexiones sobre experiencias concretas de colaboración intercultural entre instituciones de educación superior y organizaciones o comunidades de pueblos indígenas y afrodescendientes, en actividades de servicio, resolución de problemas, investigación y aprendizaje.

El encuentro contará con expositores de Argentina, Brasil, Chile, Colombia, Costa Rica, Guatemala, México, Nicaragua, Panamá y Venezuela que pertenecen a veintidós universidades miembro de la Red Educación Superior y Pueblos Indígenas y Afrodescendientes en América Latina (Red ESIAL). Además, se presentarán diez ponencias seleccionadas por un jurado internacional entre las sesenta y dos recibidas en respuesta a su convocatoria abierta.

Este año, habrá dos paneles dedicados al análisis del tratamiento del tema Educación Superior, Diversidad Cultural e Interculturalidad de la 3ª Conferencia Regional de Educación Superior (CRES), realizada en Córdoba en junio este año. Estos paneles estarán integrados por Francisco Tamarit (coordinador general de la CRES 2018), Pedro Henríquez Guajardo (director de UNESCO IESALC), Pablo Ceto (rector de la Universidad Maya Ixil de Guatemala), Maribel Mora Curriao (directora de la Oficina de Equidad e Inclusión, Universidad de Chile), Anny Ocoró Loango (UNTREF-CONICET), Rita Gomes do Nascimento (Ministerio de Educación del Brasil), Yuri Zapata Webb (Universidad de las Regiones Autónomas de la Costa Caribe Nicaragüense, Nicaragua), Maria Nilza da Silva (Universidade Estadual de Londrina, Brasil) y Álvaro Guaymás (Universidad Nacional de Salta).

El Coloquio será, además, la primera actividad pública llevada a cabo por la Cátedra UNESCO Educación Superior y Pueblos Indígenas y Afrodescendientes en América Latina de la UNTREF, que actualmente se encuentra desarrollando su iniciativa para la erradicación de racismo en la educación superior.

Más allá de difundir estudios y facilitar el intercambio de conocimientos y reflexiones sobre el tema, el Coloquio procurará “contribuir a la formulación y apropiada aplicación de políticas y programas que profundicen la democratización de la educación superior, su pertinencia respecto de la diversidad cultural propia de cada sociedad y el desarrollo de modalidades de colaboración intercultural con equidad entre universidades y otras instituciones de educación superior y organizaciones y comunidades de pueblos indígenas y afrodescendientes.”

Estos propósitos se enmarcan en las recomendaciones de la Declaración Final de la 2ª Conferencia Regional de Educación Superior – CRES (Cartagena de Indias, 2008) y en las de la “iniciativa Latinoamericana por la Diversidad Cultural y la Interculturalidad con Equidad en educación superior”, respaldada por la “Declaración de Panamá sobre la Educación en la Sociedad del Conocimiento”, suscrita por los Presidentes de las Comisiones de Educación o equivalentes de los Parlamentos miembros del Parlamento Latinoamericano.

Durante la jornada se presentará, a su vez, el libro Educación Superior y Pueblos Indígenas y Afrodescendientes en América Latina. Políticas y experiencias de inclusión y colaboración intercultural, editado por EDUNTREF, que contiene versiones ampliadas de las ponencias presentadas en el Coloquio que se realizó en 2017.